Termina
um ciclo, que outro comece
Para
o Ramalhão, a goleada sobre o Deportivo Táchira
no Brunera (que logo voltará a ser apenas Bruno Daniel,
com a retirada das arquibancadas metálicas), marcou o
fim de um ciclo que se iniciou há quase dois anos, sem
que a maioria se desse conta - mesmo na nossa mail list, nenhuma
mensagem foi postada sobre a partida, que praticamente passou
despercebida: no dia 8 de junho de 2003, o Santo André
jogou em Piracicaba e venceu o XV de Novembro local por 1 x
0, gol marcado pelo meia Tássio.
A
vitória marcou a estréia do Ramalhão na
Copa Estado de São Paulo, da qual seria o campeão;
e por conta dessa conquista participou pela primeira vez da
Copa do Brasil em 2004, da qual também foi campeão,
assegurando vaga na Copa Libertadores.
Não
faz tanto tempo, mas para o torcedor ramalhino parece uma eternidade.
Para termos uma idéia, o time base do Ramalhão
à época era mais ou menos este: Júnior,
Dedimar, Alex, Diego e Da Guia; Rodrigo Sá, Careca, Tássio
e Tita; Nunes e Daniel. Técnico: Rotta. Completavam o
elenco jovens como Dodô, Celinho, Regivan, Fábio
Reis e Robson Santos. A base do elenco era o grupo que fora
campeão da Copinha meses antes (por sinal, sem aquele
grupo de atletas de alta qualidade, tudo o que se seguiu teria
sido impossível).
Ao
longo dessa seqüência Copa Estado/Copa do Brasil/Libertadores,
o Ramalhão viveu momentos históricos: a goleada
sobre o Ituano, na final da Copa Estado; o heróico empate
em 4 gois no Parque Antártica; o inesquecível
maracanaço contra o Flamengo... Mas também
tivemos situações desagradáveis, como os
afastamentos de Tássio, Nunes e Fábio Reis, a
deserção dos técnicos Luiz
Carlos Ferreira e Péricles Chamusca e a injustificável
recontratação do LCF.
Embora
esse ciclo termine agora de forma meio melancólica, uma
espécie de anticlímax, com o massacre sobre o
Táchira por 6 x 0 que ao final mostrou-se inútil
(pois Palmeiras e Cerro Porteño também fizeram
a sua parte, com o empate sem gois que atendeu ao interesse
de ambos), não se pode negar que foi um período
de evolução intensa e progressiva, onde a cada
etapa o time ramalhino precisou vencer grandes desafios e a
cada um deles emergiu mais fortalecido, maduro e confiante.
O Ramalhão que completa agora o ciclo é bem diferente
daquele que o iniciou. Os horizontes foram alargados, as expectativas
agora são outras, o Santo André já é
visto com outros olhos. Não somos mais apenas o
time daquela cidade onde mataram o prefeito. Crescemos,
aparecemos, conquistamos respeito e deixamos os dias de anonimato
e desconfiança para trás.
Se
Juscelino Kubitschek dizia que o Brasil precisava crescer 50
anos em 5, bem poderíamos dizer que o Ramalhão
cresceu 5 anos em 2.
Falando
nisso, há quem julgue que o Ramalhão é
apenas mais um fogo de palha, como outras equipes
paulistas que surgiram, disputaram torneios importantes enfrentando
os times mais tradicionais de igual para igual e, de repente,
sumiram, voltando ao ostracismo (a famosa Síndrome de
Bragantino).
Eu
discordo dessa opinião. Nosso caso é diferente,
pois não nos aproveitamos de brechas jurídicas,
portas dos fundos entreabertas, nem de apoios políticos
e financeiros duvidosos, para aparecer no cenário esportivo.
Todas as conquistas do Ramalhão foram obtidas rigorosamente
dentro das regras do jogo, com a bola rolando, e por isso mesmo
são mais perenes e valiosas. Crescemos no ritmo ideal
e, o mais importante, na ordem certa. O que fácil vem,
mais fácil vai, mas o que se consegue com dificuldade
e mérito permanece; por isso, a tendência natural
para o Ramalhão é a consolidação.
Reparem
que não falei da Série C 2003, da Batalha de Bragança
e do dramático acesso à Segundona. Isso porque
considero esses eventos como parte de outro ciclo, que ainda
não chegou ao fim: aquele que em breve nos levará
para a Série A do Campeonato Brasileiro. E ainda mais
um ciclo poderá ter início com a presença
já assegurada do Ramalhão na Copa do Brasil 2006.
Por
tudo isso, o término desse ciclo iniciado de forma quase
anônima naquele domingo em Piracicaba não deve
ser lamentado pelo torcedor ramalhino, e sim relembrado como
o período de maior evolução que já
vivemos, e que com certeza sinaliza conquistas ainda maiores
num futuro que, se Deus quiser, está bem próximo.
Carlos Silva
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Carlos
Silva é funcionário público
e Ramalhino desde 01/10/1978
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