O torcedor está certo
A
enquete do sítio Ramalhonautas durante a Copa do Mundo
propõe aos ramalhinos a seguinte questão: você
prefere o acesso do Ramalhão à Série A
ou o hexacampeonato da seleção brasileira? Até
hoje, quanto o Brasil joga sua última partida na 1ª
fase da Copa, 90% dos torcedores que responderam a enquete preferem
o acesso do Ramalhão.
Parece
que a Copa da Alemanha realmente não é a prioridade
para os torcedores ramalhinos. No Mural deste sítio,
verifico que muito pouco se fala sobre a Copa: mesmo neste recesso
forçado, os torcedores que deixam mensagens por lá
vem mantendo o foco nos quase infindáveis problemas que
envolvem o Ramalhão. E uma discussão recente no
mural (que na verdade é antiga e volta e meia acaba sendo
retomada) foi disparada pela notícia da contratação
do Dedimar pelo Marília, e pela "quase" ida
de Ruy Scarpino para o Atlético Sorocaba: por que o Santo
André vive "perdendo" profissionais para times
"menos expressivos"? Ou, por outra via: por que o
Santo André dispõe de menos recursos financeiros
do que a maioria de seus adversários?
Não
é por acaso que a questão volta à baila
com freqüência: ela guarda relação
direta com o futuro do futebol do clube e, ouso dizer, com a
sua própria sobrevivência.
Para
o ramalhonauta bem informado, não é segredo que
o Santo André gasta com o futebol, incluídas as
categorias de base, cerca de R$ 300 mil mensais, e que tais
recursos provêm quase que exclusivamente dos patrocinadores,
além da renda eventual da negociação de
algum atleta e de alguns repasses da área social (Poliesportivo).
As outras fontes de que o clube poderia valer-se as bilheterias
e as verbas de transmissão da TV estão
praticamente secas: o repasse da FBA aos clubes filiados é
de cerca de R$ 400 mil para a temporada toda, quase uma insignificância,
mas é o que se pode conseguir por um torneio de pouco
interesse da mídia fora das regiões Norte e Nordeste.
Quanto às bilheterias dos jogos no Bruno Daniel, nem
temos mais alento para voltar ao assunto.
Mas
eu discordo da idéia que o Santo André receba
menos recursos que seus adversários diretos na Série
B. Na verdade os patrocínios do Ramalhão são
de grande monta, se comparados aos da maioria dos times rivais;
o nosso problema é que essas verbas são na prática
as únicas que temos, enquanto outros clubes contam também
com outras fontes de renda, tais como as bilheterias, quando
não outras origens "não declaradas"
(para bom entendedor...). Nessa situação, fica
muito difícil o Ramalhão competir com outras equipes
mais bem estruturadas financeiramente.
E
aí, o que fazer? A saída óbvia parece ser
conseguir patrocínios mais rentáveis. Mas onde
obtê-los? E o que teríamos a oferecer-lhes em troca
de seu dinheiro, além de uma visibilidade ínfima
na TV, um estádio quase vazio nos jogos do time e uma
cidade de grande população e capacidade financeira
declinante mas ainda elevada, mas que está de costas
para o clube? Ficou claro, na Copa do Brasil e na Libertadores,
que não devemos contar com nenhum "civismo"
por parte dos empresários da região: é
claro que eles só se motivam pelo aspecto financeiro,
e nesse ponto o Ramalhão não lhes é nada
atraente. E ainda há quem pergunte porque não
temos o apoio de uma Pirelli, Firestone, Volkswagen e outras
grandes empresas da região...
Há
uns poucos anos, vivíamos uma situação
bem semelhante à atual, quando estávamos na Série
C e não nos conformávamos em ver times do mesmo
porte do Ramalhão, como Etti Jundiaí, Mogi Mirim,
Bragantino, União de Araras e Marília na Série
B. Lembro-me que, nessa época, postei uma mensagem na
lista dizendo que só tínhamos uma saída:
subir, subir a qualquer custo para a Segundona, com os recursos
disponíveis e passando por cima de todas as dificuldades.
E conseguimos fazer justamente isso em 2003, pois conseguimos
pela primeira vez conjugar um objetivo razoavelmente bem planejado
e uma equipe realmente forte, construída nas categorias
de base; tão forte que foi a base da conquista da Copa
do Brasil no ano seguinte.
E
a saída que temos agora para superar os sérios
obstáculos financeiros é exatamente a mesma: subir.
Subir o quanto antes para a Série A, passando por cima
de todas as limitações e dificuldades, para atingirmos
um novo patamar de arrecadação (leia-se TV), bem
como alcançarmos a visibilidade que o Brasileirão
proporciona para conseguirmos parcerias mais fortes. Ou isso,
ou esperarmos por um improvável "milagre da multiplicação
das verbas".
A
conclusão a que chego é que o pessoal que respondeu
a enquete está com toda a razão. O acesso é
muito mais importante para nós do que o possível
"hexa" da seleção na Alemanha. E essa
resposta não tem nada a ver com bairrismo ou fanatismo
pelo clube: é, acima de tudo, uma questão de sobrevivência.
Carlos Silva
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Carlos
Silva é funcionário público
e Ramalhino desde 01/10/1978
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