Realismo demais ou pessimismo?
No
último dia 30 de junho, ocorreu o terceiro aniversário
(já??) da conquista do título da Copa do Brasil
pelo Ramalhão. O fato teria passado despercebido pela
mídia, não fosse uma matéria publicada
no sítio do Globo Esporte na internet, com título
que bem demonstra a linha da reportagem: Praga de Urubu?
Santo André agoniza na [Série] B. O link
para a matéria foi postado na lista de discussão
e também no mural do sítio Ramalhonautas (e por
sinal, os colegas da lista são verdadeiros sabujos digitais,
pois conseguem farejar cada coisa na internet...).
A
matéria foca a aparente decadência do Santo André
após o título da CB e a falta de capitalização
da conquista, mas não atinge muita profundidade no assunto;
percebe-se que é voltada para um público que não
costuma acompanhar a realidade da Segundona. Nota-se mesmo certa
desinformação, por exemplo ao tratar o Jairo Livólis
como presidente do Santo André, cargo que ele não
mais ocupa, e ignorar a transformação do clube
em empresa. A contratação do ex-ex-jogador Marcelinho
Carioca é noticiada, mas como se fosse simples dádiva
de dois empresários da cidade e última tábua
de salvação do time, e não um instrumento
de repercussão e marketing.
Mas
o que de fato enfureceu a comunidade ramalhonauta foram as declarações
de Livólis reproduzidas na matéria, consideradas
bastante pessimistas, sobre o momento atual e expectativas futuras
para o Ramalhão: entende o ex-presidente que é
impossível repetir um dia aquela conquista,
que o objetivo do clube na Segundona é apenas fugir
do rebaixamento e heresia das heresias!
aponta certo time vizinho como favorito ao acesso.
Se
acreditarmos que as declarações não foram
distorcidas e refletem de fato o pensamento do ex-presidente,
só nos resta lamentar profundamente que Livólis
tenha trocado a cautela e realismo que sempre o caracterizaram
por um pessimismo desenfreado, e pior, totalmente incompatível
com o cargo de presidente da diretoria executiva do clube-empresa,
que ora ocupa. Afinal, se o próprio idealizador e condutor
da empreitada não acredita em seu êxito, como convencer
os investidores a aplicar seu dinheiro no clube? E como motivar
a torcida a retornar aos jogos da equipe, se o objetivo é
apenas não cair? E o elenco, como esperar que não
se sinta desmotivado quando fica subentendido que sua qualidade
técnica é tão limitada que só permite
aspirar à frágil meta de não ser
rebaixado?
Não
acreditamos que a conquista da Copa do Brasil e conseqüente
participação na Libertadores sejam uma façanha
apenas ocasional, resultado de uma série de circunstâncias
felizes e impossível de ser repetida. O caminho existe
e pode ser trilhado por qualquer equipe que mostre competência
em campo e estabilidade fora dele, qualidades que o Ramalhão
teve na época e pode repetir com organização
e trabalho bem direcionado. O clube empresa nasceu com essa
filosofia; afinal, ninguém investiria no Santo André
se acreditasse que o clube nunca passará da Série
B.
Chegar
à elite do futebol brasileiro e conquistar a visibilidade
que essa vitrine propicia é fundamental à concretização
dos projetos a que o clube-empresa se propõe, e ao conseqüente
faturamento. É, portanto, o primeiro alvo a ser atingido,
e uma nova participação na CB ou na Libertadores
assim com o retorno à Série A-1 do campeonato
paulista - viriam eventualmente como conseqüência.
E a torcida apoiará o time sem restrições,
se perceber que está lutando pelo objetivo certo.
As
declarações do Jairo Livólis repercutiram
muito mal entre os torcedores, e provavelmente o mesmo ocorrerá
entre os cotistas. Acreditamos que o corpo de investidores passará
a cobrar dos administradores da empresa uma postura mais arrojada
e otimista, o que é perfeitamente possível sem
fugir à realidade de um clube pequeno.
Curtas:
-
A inauguração da Arena Barueri praticamente
quintuplicou a média de público nos jogos do Grêmio
Barueri na Série B. Fenômeno semelhante ocorreu
com o Paraná Clube após a reinauguração
de seu estádio na Vila Capanema, e de quebra o time paranista
ainda conseguiu vaga na Libertadores. Casa nova, confortável
e bem arrumada atrai público e isso está mais
que demonstrado. Quando veremos realizado o sonho de uma verdadeira
reforma no Bruno Daniel?
-
A torcida Ramalhonautas recebeu, na pessoa de um de seus integrantes,
correspondência do ex-jogador Celso Motta, um dos heróis
da conquista de 1975 e que atualmente reside em Bauru, agradecendo
a lembrança e a homenagem prestada. Nós é
que agradecemos, a ele e a todos os profissionais homenageados
no Jubileu de Pérola, por tudo o que fizeram pelo Ramalhão.
Carlos Silva
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Carlos
Silva é funcionário público e Ramalhino desde 01/10/1978 |