Cinco fatos marcantes
Encerrada
a temporada 2007 para o Ramalhão, é hora de avaliar
os resultados e os prejuízos. E não há
como negar que o ano foi negativo para o clube: não avançamos
nada, pelo contrário, perdemos o lugar na Divisão
principal do campeonato paulista (ainda que este tenha cada
vez menos importância) e acabamos comemorando a permanência
na Série B como um grande lucro.
Pareceu-me
que a temporada que ora se encerra resumiu tudo o que se pode
fazer de errado na gestão de uma equipe profissional:
escolhas equivocadas, decisões sérias tomadas
de improviso, conchavos de bastidores, tudo contribuiu para
que o Ramalhão vivesse seu ano mais negativo desde 2002.
Em
lugar de fazer uma retrospectiva linear, preferi destacar cinco
fatos que, na minha opinião, resumem o que foi 2007:
O
rebaixamento no Paulistão.
Este foi, na verdade, o resultado de uma seqüência
de decisões erradas e muita falta de sorte. A diretoria
parecia ter começado bem, ao manter no comando do time
o treinador Ruy Scarpino, que apesar dos pesares fizera um bom
trabalho na temporada anterior. O planejamento parecia satisfatório:
Scarpino apresentou uma lista de reforços e a diretoria
lançou-se ao mercado. Foi assim que aportaram no Bruno
Daniel atletas desconhecidos como Diogo Pires, Catatau, Edinho,
Mateus, Flaubert e Raulen.
Mas
esse elenco não correspondeu às expectativas e
o time começou o Paulistão muito mal, chegando
à vergonha de ser goleado em casa pelo vizinho amarelo.
E a diretoria fez o que normalmente se faz em situações
como essa: trocou o treinador. O manjado Luiz Carlos Ferreira
assumiu o comando e pediu jogadores de maior qualidade: foi
a hora de medalhões como Sérgio e Galeano, além
de Rodrigo Sá, Marcelo Régis e outros reforçarem
o time. Os resultados continuaram não vindo e não
tardou para que LCF também recebesse o bilhete azul,
medida precipitada e que seria duplamente desastrosa. A vinda
do desconhecido Leandro Campos só serviu para pavimentar
o caminho do Ramalhão para a A-2.
O
caso Toledo. Logo nos primeiros dias do ano, esse estranho
episódio deixou a impressão de que algo de errado
acontecia pelos lados do Jaçatuba. Contratado por recomendação
de Sandro Gaúcho, o atacante da Ulbra acabou dispensado
um dia após haver assinado contrato, por haver, segundo
o diretor remunerado Sérgio do Prado, feito "exigências
inaceitáveis" e por "não corresponder
ao perfil pretendido pelo clube". Por que razão
um jogador desconhecido teria feito exigências, e que
exigências teriam sido essas, são respostas que
permaneceram nebulosas como nebulosas foram muitas medidas
tomadas ao longo do ano.
O
processo de LCF.
Houve um antigo humorístico da TV em que um personagem,
caracterizado como um macaco, sempre ia preso ou era punido
por uma transgressão qualquer que todos cometiam, e indignado
dizia: "Mas só eu? E os outros?" Pois algo
parecido aconteceu com o Ramalhão: demitir treinadores
sempre foi rotina no futebol brasileiro, mas o Santo André
acabou pagando o pato, ou melhor, o mico desta vez. Dispensado
após 20 dias de trabalho, LCF processou o Ramalhão
alegando rompimento de vínculo trabalhista, e em 10 de
agosto a juíza do TRT Eliane Pedroso condenou o clube
ao pagamento de salários, férias, FGTS e multas
no valor total de R$ 954.978,00 uma fortuna para os padrões
de um time médio da Série B. Não se tem
notícia se o clube recorreu da sentença ou buscou
um acordo com o ex-treinador. Mas honrar uma dívida desse
tamanho colocaria o Ramalhão na rota da insolvência.
A
"explosão Livólica". Não
foi a primeira vez que o temperamental Jairo Livólis
buscou impor sua vontade ao time. Mas desta vez, ao perder o
controle nos vestiários do Bruno Daniel após o
empate contra o Barueri e ofender aos gritos vários jogadores,
Livólis se esqueceu de que já não detinha
o poder absoluto sobre o futebol do Ramalhão. Os cotistas
do "clube-empresa" não perdoaram a atitude
do dirigente e afastaram-no do comando executivo da Santo André
Gestão Empresarial Desportiva Ltda. O fato expôs
a luta de bastidores pelo poder na empresa e consolidou a posição
de Ronan Maria Pinto como novo homem forte do futebol do Ramalhão.
A
reação na Segundona. Aparentemente o único
fato positivo em toda a temporada foi a espetacular reação
ramalhina na reta final da Série B. Já sob o comando
do desconhecido Fahel Junior, o time conquistou 12 pontos em
15 possíveis nas últimas 5 rodadas e conseguiu
escapar do rebaixamento que já parecia certo. Embora
a ameaça de descenso apenas tenha sido afastada na última
rodada, mantendo até o fim a expectativa e a angústia
da torcida, a diferença final em relação
à zona de descenso foi de folgados 6 pontos e o time
concluiu sua participação com o 14º lugar,
a segunda melhor classificação alcançada
durante todo o torneio. O que haveria conseguido motivar o elenco
a esse ponto? Acredito que tenha sido uma combinação
de elevação da moral e confiança do grupo,
por ação do trio Fahel-Sandro Gaúcho-MC,
com medidas diretivas de caráter estimulante ($$$).
No
momento em que concluo esta matéria, toda a imprensa
noticia (chora?) o rebaixamento do Corinthians para a Série
B. Esse fato deverá aumentar muito o interesse e o valor
do campeonato em 2008, embora haja o risco da mídia limitar
sua cobertura da Segundona a uma só equipe, como foi
feito com o Palmeiras. Será a chance para que o Ramalhão
consiga recuperar, em parte, as perdas de 2007. Mas para isso
será fundamental não repetir os erros deste ano
e foram tantos que conseguir bisar tudo seria uma façanha.
E
que venha 2008...
Carlos Silva
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Carlos
Silva é funcionário público e Ramalhino desde 01/10/1978 |