18/11/2007 07h11
Confidencial
- Uh, Marcelinho...
Nelson Cilo
Do Diário do Grande ABC
Às
vezes, o futebol como a própria vida é
um filme previsível ou imprevisível. Nem sempre
dá para adivinhar os desdobramentos. Vamos ao enredo.
Os torcedores do Santo André e o técnico Fahel
Júnior puderam comprovar a filosófica teoria de
que os maiores vencedores não caem de graça. Idem
os dirigentes, torcedores e colegas de grupo de Marcelinho Carioca,
que o viram disparar como nunca nos tempos de Santos,
Corinthians ou Vasco nos 3 a 0 de sexta-feira diante
do Avaí no estádio Bruno Daniel pela Série
B do Campeonato Brasileiro.
O
novo herói da Tuda e da Fúria as duas principais
torcidas organizadas do Santo André correu como
se fosse um soldado ainda não recuperado totalmente de
alguma ferida recente. Quem sabe, de uma tremenda e indisfarçável
injustiça que cometeram contra ele ao retornar ao Parque
São Jorge.
Aquela
trama para definir o acerto de uma dívida antiga levou-o
a treinar sozinho no CT de Itaquera ou no terrão. Não
importam os motivos de tanta trairagem no circo volúvel.
O que interessa é que a Fiel ainda o cultiva como eterno
xodó.
Lembram-se
daquele dia em que num Corinthians x Brasiliense
não paravam de gritar... De repetir o coro da saudade
no lotadíssimo Pacaembu... Uh, Marcelinho... Uh,
Marcelinho... Uh, Marcelinho...
E
o nosso iluminado personagem que lá estava como
rival emocionado na hora da surpreendente homenagem subiu
bem no alto do alambrado para curtir o alegre reencontro. Isso
não tem preço. Não se compra na primeira
esquina. Não se acha nas curvas da estrada. É
algo imortal e indestrutível nos intrigantes arquivos
da divina história alvinegra. Não é?
Confidência
- Me contaram: na semana em que o Santo André encararia
o Avaí, Marcelinho Carioca treinou demais em Jarinu.
Na volta ao Grande ABC, também trabalhou intensamente
no Bruno Daniel. Fahel Júnior já sabia que o genial
meia seria uma espécie de arma infalível para
derrubar o rival. Mas, todo teatral, o técnico procurou
escondê-lo dos inimigos. Epílogo: deu no que deu.
Herança
- Os novos comandantes do Santo André liderados
pelo empresário Romualdo Jr. assumiram uma estrutura
antes arcaica e mal planejada.
Mas,
ao contrário do que aconteceu no Estadual, conseguirão
salvar o time do segundo rebaixamento consecutivo. A herança
do passado reflete as atuais dificuldades do barco nas turbulências
da Série B.
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Nelson
Cilo é jornalista. |