As Aventuras de Valter Bittencourt
no Paraguai
Valter Bittencourt
Saída
do Brasil e primeiro treino em Assunção
Do
enviado especial ao Paraguai, Valter Bittencourt
São sete e dez da manhã e os jogadores do Santo
André tomam um breve lanche no refeitório do estádio
Bruno José Daniel. Um misto de brincadeiras, aliadas a
seriedade da partida que vem pela frente toma conta de todo o
elenco do Ramalhão, que dali a poucos minutos embarcaria
para a sua segunda viagem internacional. O destino, Assunção,
no Paraguai.
Sigo
o caminho rumo ao aeroporto internacional de São Paulo
no ônibus da delegação, o que se vê,
são demonstrações claras de união
de um grupo que sabe que esse pode ser o jogo de suas vidas. Uma
derrota no Paraguai pode significar o fim do sonho internacional
do Ramalhão. Mas em meio a tanta expectativa, temas como
a pena de morte e brincadeiras com particularidades de cada atleta
dominam a viagem de pouco mais de uma hora.
Na
chegada ao aeroporto, os dirigentes do Santo André já
aguardavam os atletas e em pouco tempo, toda a delegação
organizava-se na sala de embarque para o embarque no vôo
0707 da TAM.
O
ala Romerito, tem medo de voar, e apreensivo, lê um jornal
nos momentos em que o avião preparava-se para decolar.
Ao meu lado, o zagueiro Ronaldo fechava os olhos e rezava para
termos uma boa viagem, e quem sabe, uma vitória de sua
equipe nesta viagem que dura pouco mais de 1h50 até chegar
às 11h40 ao Aeroporto Silvio Petirossi na capital Paraguaia.
Já
a caminho do Paraguai, os jogadores começam suas brincadeiras
- comuns em vôos - um dos alvos preferidos da delegação
era o meia Richarlyson, que enquanto dormia, mal poderia imaginar
que estava sendo fotografado.
Com
uma temperatura de 17 graus, nossa chegada ao Paraguai foi tranqüila.
Alguns dirigentes do Cerro Porteño recepcionaram a delegação
do Santo André ainda na área de imigração.
Logo na saída do aeroporto a caminho do hotel, jogadores
como Richarlyson e Rodrigão concederam as primeiras entrevistas
para rádios e televisões do país.
Enquanto
a delegação concentrava-se no Hotel Yatch Golf Club,
eu e mais quatro torcedores do Santo André fomos levados
ao Hotel Chaco, no centro comercial da capital paraguaia. Despachamos
as malas e almoçamos. Merecíamos descanso.
Às
15h dirigimo-nos ao hotel em que o Santo André está
concentrado. No local - utilizado por todas as seleções
que atuam no Paraguai - há uma excelente estrutura e campos
de futebol para os treinamentos. Por volta das 15h45 os jogadores
começam a se dirigir ao gramado e em seguida o técnico
Sérgio Soares reúne todos os atletas no centro do
gramado para uma conversa séria e com objetivos claros.
Vencer o Cerro Porteño no estádio Las Ollas. Estima-se
que já foram vendidos 32 mil ingressos, e Sérgio
sabe mais do que todos, não será fácil. A
imprensa paraguaia entrevistou alguns jogadores e logo foi convidada
a se retirar para que a equipe pudesse treinar sem a presença
de câmeras.
Após
conversar individualmente com cada atleta, Sérgio Soares
comandou um treino tático de pouco mais de uma hora, mostrando
o que ele quer que a equipe faça na partida desta quinta-feira
(28). Após o treinamento, o treinador seguiu com o vice-presidente
de futebol Celso Luiz de Almeida e com o Diretor de Futebol remunerado,
Sérgio do Prado ao local do jogo para o reconhecimento
do gramado. O restante da delegação permaneceu no
hotel realizando um recreativo de dois toques já que o
gramado do estádio Las Ollas sofreu com a chuva dos últimos
dias e em função disso foi vetado o seu uso total
por parte do clube paraguaio.
Após
o treino, os jogadores realizaram um breve alongamento e partiram
para a concentração. Fiquei com os torcedores no
saguão do hotel e pude conversar com jornalistas paraguaios
que entrevistavam alguns atletas no momento em que entravam no
hall do hotel. Para a imprensa local, o Santo André é
um pequeno desconhecido - tal qual a equipe do Taquari para os
brasileiros - e segundo eles, a missão do Santo André
é só uma. Ser derrotado por no mínimo 3 a
0 e conseqüentemente dar a classificação à
equipe azul-grená de Assunção. Talvez eles
não tenham acompanhado a Copa do Brasil em 2004. Mas sobre
as projeções sobre a partida, a resposta que eles
tanto esperam só virá amanhã. E pelo que
pude acompanhar nos treinamento do Ramalhão, tem uma grande
chance de ser azeda e dolorida para meus colegas guaranis.
Quando
eu e os torcedores que vieram ao Paraguai acompanhar a partida
já nos preparávamos para pegar um táxi em
direção ao nosso hotel, o técnico do Sérgio
Soares chegou a concentração com os dirigentes do
Ramalhão. Em uma breve conversa, ele disse estar plenamente
satisfeito com o que a equipe apresentou e sua confiança
na vitória é inabalável. Esse sentimento
também é explícito em todos os jogadores.
Uma clima que eu tenho a oportunidade de presenciar e que me deixa
esperançoso por um futuro brilhante do Ramalhão
na competição mais importante das Américas.
Saí do Yatch Golf club em direção ao meu
hotel com a sensação de dever cumprido e que se
depender da vontade e do ambiente que domina na concentrarão
do Santo André, o jogo desta quinta-feira tem tudo para
entrar na história do clube do ABC. Amanhã essa
história continua, até lá!