Santo André campeão, um ano depois

Divanei Guazzelli
Do Diário do Grande ABC

O futebol profissional do Grande ABC lembra nesta quinta o primeiro ano de sua maior conquista. No dia 30 de junho de 2004, com o Maracanã tomado por cerca de 70 mil flamenguistas, o Santo André derrotava o Flamengo por 2 a 0 e conquistava o título da Copa do Brasil. Era o que cariocas, rivais ou não, consideravam o segundo Maracanazo da história, numa referência à derrota do Brasil para o Uruguai, no mesmo estádio, na decisão da Copa do Mundo de 1950.

Nos últimos 12 meses, o Santo André consolidou credibilidade nacional, fez uma campanha favorável na Série B de 2004 e só não foi aos quadrangulares por causa dos 12 pontos perdidos no STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), no Rio. No Paulista de 2005, obteve os melhores números desde a sua primeira participação no campeonato, em 1982. Ficou em quarto lugar, atrás somente de São Paulo (campeão), Santos (vice) e Corinthians (terceiro lugar) e, simultâneamente à competição estadual, disputou a Copa Libertadores da América, principal torneio de clubes do continente, mas foi desclassificado ainda na primeira fase.

Além do prestígio do clube, o título também rendeu transferências interessantes a alguns dos campeões. O zagueiro Alex e o volante Ramalho foram para o São Paulo. O primeiro permanece no Morumbi, e o segundo disputou por empréstimo o Brasileiro de 2004. O volante Dirceu foi para o Maccabi Haifa, um dos principais times do futebol israelense. O meia Élvis ingressou no Botafogo-RJ, do qual transferiu-se para o Paysandu e, em seguida, para o Marília; o atacante Osmar trocou o Santo André, em agosto de 2004, pelo Palmeiras e hoje está no Grêmio, de Porto Alegre, e o ala/meia Romerito disputa a Série A do Brasileiro pelo Goiás.

Exemplo – O título da Copa do Brasil veio numa temporada única para o profissionalismo no Grande ABC. Dois meses e meio antes da conquista da Copa do Brasil pelo Santo André, o rival São Caetano conquistara o Campeonato Paulista, o estadual mais expressivo do futebol brasileiro. Nenhuma região, no Estado, obteve façanha semelhante com duas equipes numa só temporada. A de Campinas chegou perto, em 1986, com o título paulista da Internacional, de Limeira, e o vice brasileiro do Guarani.

Agora, exatos 12 meses após uma festa que parou Santo André durante todo o dia 1º de julho, quando a delegação regressou do Rio de Janeiro, o time busca completar o ciclo com o acesso à Série A do Brasileiro. Desta vez, para ficar, pois o Santo André disputou a Primeira Divisão nacional somente uma vez, em 1984. Os números o favorecem, tanto que em dez partidas perdeu somente uma, no último sábado, para o Grêmio por 1 a 0, em Porto Alegre, e mantém a liderança com 21 pontos na tentativa de reproduzir, no final de novembro, a comemoração de um ano atrás e alcançar de vez um lugar na elite.

Técnico campeão procura trabalho após chegar ao estrelato no Rio

Anderson Rodrigues
Do Diário do Grande ABC

Um ano depois de alcançar o estrelato, Péricles Chamusca está à procura de emprego. Dispensado recentemente do Goiás, onde ficou cinco meses, o técnico campeão da Copa do Brasil pelo Santo André foi obrigado a dar uma pausa na carreira. Quarta, em entrevista ao Diário, confirmou que está negociando sua ida para o Botafogo-RJ. Após a passagem pelo Ramalhão, Chamusca se coloca hoje “num outro patamar profissional”. “Dei um passo quando disputei a final da Copa do Brasil com o Brasiliense (2002) e um salto ainda maior quando fui campeão com o Santo André, a quem devo grande parte do sucesso de minha carreira”, disse, por telefone, de Goiânia, onde está descansando com a família.

A noite do dia 30 de junho de 2004 ainda está bem viva na lembrança de Chamusca. O comandante da epopéia andreense recorda com emoção a vitória sobre o Flamengo, num Maracanã com 72 mil torcedores contra. “Antes de entrarmos em campo, reforcei o discurso que adotei durante toda a competição. Meu papel foi principalmente psicológico. Consegui fazer com que o grupo acreditasse em seu potencial, que era possível ser campeão, mesmo contra um grande clube”. Além disso, segundo ele, “o grupo era unido como uma família e preparado física e tecnicamente para a conquista”.

Próximo de completar 40 anos, Chamusca passou por 15 clubes em dez anos de carreira. O título com o Santo André trouxe credibilidade ao técnico, que definiu sua ida para o rival São Caetano dias depois, mesmo com uma boa proposta do Flamengo. Seis meses não foram suficientes para agradar à diretoria do Azulão e Chamusca deixou o Grande ABC para acertar com o Goiás, seu último clube.

Ídolo em 2004, Sandro Gaúcho destaca reconhecimento do clube

Analy Cristofani
Do Diário do Grande ABC

Estrela do Santo André na final da Copa do Brasil do ano passado, Sandro Gaúcho continua vestindo a camisa do Ramalhão e não se arrepende de ter tomado a decisão de permanecer no time do Grande ABC, apesar das propostas que recebeu para sair do clube e defender outras camisas. O jogador acredita que fez a opção correta e está feliz por poder participar da campanha, até agora, vitoriosa da equipe na Série B do Campeonato Brasileiro. “Até hoje, estou desfrutando aquela conquista. Para qualquer lugar que o Santo André vai, todo mundo comenta aquele título. Foi importante não só para mim, mas para todo o elenco e para o próprio clube”, lembra o jogador.

Sandro Gaúcho viu, há poucos dias, a conquista histórica do Paulista. Mas, como uma das peças fundamentais da festa de 2004, entende que a vitória do Santo André diante do Flamengo foi ainda maior do que a do time de Jundiaí em cima do Fluminense. “Não foi igual, talvez por ter sido contra o Flamengo, no Maracanã lotado. Não sei, pode ser também porque eu participei dela, né?”.

O fato de ter optado por permanecer no Santo André também não faz o atacante se arrepender. “Foi uma decisão minha, junto da minha esposa. Estava praticamente tudo acertado com a Ponte (Preta). Era só dizer sim que estava com o dinheiro. Mas foi uma boa opção ficar, não me arrependo. Renovei com o Santo André e está ótimo”.

O que conta hoje, segundo o jogador, é ver o nome do Santo André sendo ouvido e conhecido em todos os cantos. Esta é, para o atacante do time do Grande ABC, o que ficou de verdade daquela conquista. “Todo mundo conhece o Santo André”.

Mas agora, na disputa da Série B do Brasileiro, Sandro entende que as dificuldades aumentaram pelo respeito que os adversários têm quando enfrentam o Ramalhão. “Os adversários de hoje jogam com mais vontade, sempre olham para nós como uma equipe difícil de ser enfrentada. Tem sido mais complicado, inclusive, pelo que estamos fazendo no campeonato. Nossa equipe amadureceu demais”, conclui.

Só quatro titulares da campanha vitoriosa permanecem no time

Do Diário do Grande ABC

Dos jogadores que iniciaram a decisão de 30 de junho de 2004 somente quatro estão no Santo André, um ano depois. O goleiro Júlio César, o lateral/zagueiro Dedimar, o volante Ramalho e o atacante Sandro Gaúcho são titulares da equipe que busca o acesso para a Série A do Campeonato Brasileiro. Sandro Gaúcho fez um dos gols da vitória por 2 a 0, e o meia Élvis, hoje no Marília, o segundo daquela noite, no Maracanã.

Os quatro receberam propostas e, um deles, o volante Ramalho, disputou pelo São Paulo a Série A do Brasileiro de 2004, ao lado do zagueiro Alex, que ainda permanece no Morumbi. O goleiro Júlio César teve recentemente o nome cogitado para um possível acerto com o Santos. Propostas também não faltaram a Dedimar, o capitão da conquista, e que foram feitas por integrantes das séries A e B do Brasileiro. Foi o mesmo caso de Sandro Gaúcho, artilheiro do Santo André na competição (seis gols), marcados nas quartas-de-final, contra o Palmeiras; semifinais, diante do 15 de Novembro, de Campo Bom-RS, e finais, contra o Flamengo. Guarani e Ponte Preta foram dois dos clubes que o procuraram, mas sem propostas que conseguissem tirá-lo do Santo André.

Outros titulares campeões deixaram o time no começo da temporada nacional. Como o zagueiro Gabriel, que está no Bahia, e o ala/meia Romerito, no Goiás. O lateral Nelsinho disputou o último Campeonato Paulista pela Portuguesa Santista. Dos reservas da campanha do título, a maioria permanece no Santo André. Como o goleiro Júnior Costa; os volantes Dodô e Ronaldo; o lateral/zagueiro Da Guia e o atacante Makanaki. Sérgio Soares, que iniciou a competição de 2004 como jogador (era volante), virou técnico do próprio clube.


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